No dia 26 de junho participei de uma mesa-redonda organizada pelo programa PenseSUS, da TVT, sobre o que denominamos como CiberespaSUS. A questão central do conceito nos faz agir e refletir sobre o movimento nas redes sociais e ambientes de interação virtual que abordam, potencializam e comunicam a saúde e as políticas de saúde do Brasil.
Território virtual que se intensifica e amplia o debate sobre como enfrentar os desafios e aprimorar o SUS
Participei do programa representando o projeto Comunidade de Práticas, do Departamento de Atenção Básica/Ministério da Saúde. Estiveram também presentes o professor Ricardo Teixeira, da Rede HumanizaSUS,e a blogueira Débora Aligieri, do blog Diabetes e Democracia. A apresentação é do professor Tuto de Paula Souza.
Veja o programa nos três blocos:
EspaSUS - Ciberespasus - 1/3
EspaSUS - Ciberespasus - 2/3
EspaSUS - Ciberespasus - 3/3
Foto com os participantes do programa:
Thiago Petra, Tuto de Paula, Debora Aligieri e Ricardo Teixeira
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Sobre a TVT: A primeira emissora de televisão outorgada a um sindicato de trabalhadores, foi outorgada em outubro de 2009 à Fundação Sociedade, Comunicação, Cultura e Trabalho, entidade cultural sem fins lucrativos criada e mantida pelo Sindicato.
O EspaSUS é realizado em parceria entre a PNH, TVT e OPA, com exibição mensal pela TVT.
segunda-feira, 30 de junho de 2014
segunda-feira, 16 de junho de 2014
Você conhece a Comunidade de Práticas?
O projeto Comunidade de Práticas cresce a cada dia. Se no ano passado tínhamos 8 mil usuários experimentando uma rede social distribuída sem saber o que seria daquilo, hoje temos mais de 30 mil usuários construindo a Atenção Básica com interações em comunidades, cursos colaborativos e relatos de experiência que contam a história atual da Atenção Básica / Saúde da Família no Brasil.
Esse vídeo é mais uma conquista. Queremos incentivar cada vez mais a potência de uso de uma rede que é do trabalhador. Ajude a divulgar, assim construiremos uma rede forte e com a nossa cara!
sexta-feira, 30 de maio de 2014
Educomunicação: Como estamos fazendo EAD?
Planejar EAD parece muito simples.
(Parece)
Se o professor ou o projetista de um curso EAD possui conhecimentos básicos de informática, domina o PowerPoint, gosta de escrever nas redes sociais ou se atreve a fazer uma edição simples de vídeo, bem, ele já está apto a criar todo o material do curso para um ambiente virtual de aprendizagem? Não sei vocês, mas acho muito pouco. E acredito que a maioria de vocês esteja sempre se deparando com isso aqui e acolá.
É sabido que estamos em uma sociedade que mudou muito. Temos acesso à internet, às tecnologias móveis, computadores baratos, às ferramentas web 2.0. É possível criar um blog como este, criar um canal no youtube, podcasts, relacionamento com outros usuários. Nós nos tornamos emissores de significados, de opiniões, de conexões. A Educação à Distância ganhou uma outra dimensão, temos Ambientes Virtuais de Aprendizagem, possibilidades de criação de narrativas diversas. E por que ainda vemos a mesma postura centralizadora das salas de aula presenciais? E por que se explora tão pouco as possibilidades das ferramentas web?
Vejam a diferença: Enquanto eu, como usuário, tenho inúmeras possibilidades de participação e interação em vários sites e redes sociais que acesso, nas salas de aula virtuais sou limitado à interação com o conteúdo de maneira passiva. Por quê? A cada estudo que se faz da EAD atualmente, "os números que mais gritam" são os de evasão. Podemos pensar em várias respostas, como falta de tempo do aluno, dificuldades de gerenciamento de informação/ensino, incapacidade do aluno em relação ao conteúdo proposto.
É preciso se colocar diante da realidade no virtual de maneira diferente.
(Devemos combater a educação bancária virtual!!!!)
E podemos ver uma mudança profunda quando inter-relacionamos a educação e a comunicação.
Entendam, um Ambiente Virtual de Aprendizagem é um ecossistema comunicacional. E os atores da educação precisam explorar isso, fugindo do modelo matemático de comunicação (emissor ⇒ receptor) e potencializando a rede e sua cultura interativa (⇔), colaborativa e distribuída. Aqui o conceito de Educomunicação pode nos ajudar a entender os desafios da EAD para uma prática da educação alinhada ao contexto interativo e dialógico do acesso do usuário/aluno na internet.
O conceito foi desenvolvido pelo Núcleo de Comunicação e Educação (NCE), da Universidade de São Paulo, sob a coordenação do prof. Dr. Ismar de Oliveira Soares, com o objetivo de estudar as inter-relações entre a Educação e a Comunicação e contribuir para identificar novas metodologias de ensino e aprendizagem. Se antes se discutia o uso de técnicas de rádio e jornal para dentro da sala de aula, na Educação a Distância fica clara a necessidade de se estudar com mais potência esta abordagem, desde a maneira como é montada toda a estrutura dentro de um Ambiente Virtual de Aprendizagem, quanto ao uso de narrativas midiáticas para construção de conteúdos.
Mas a comunicação não deve ser apenas um instrumento. Como escrevi no começo, não adianta saber criar um powerpoint, ou inserir texto no Moodle. É preciso refletir os processos comunicacionais do usuário inserido na web, as diversas narrativas e representações, os agentes que se colocam em relação com a aprendizagem. O aluno não se interessa por um mero transmissor de conteúdo/mensagem. Ele quer participar, seja pelas vias oficiais, ou pelos grupos/comunidades alternativas no Facebook. E o ambiente virtual de aprendizagem e o conteúdo educacional precisam apoiar e motivar esta participação.
Ao construir um ambiente como esse, é preciso estimular a comunicação para todos os usuários, facilitar o processo de construção do conhecimento, usar todo o potencial das tecnologias de informação e comunicação, criar espaços de interlocução. Um gestor de comunicação, ou educomunicador, é peça fundamental na construção deste processo de aprendizagem (se houver liberdade para uma construção em equipe, de preferência multidisciplinar).
O educomunicador é um facilitador, planeja a comunicação, media, explora os meios. Ele também é sujeito, possui um lugar de fala e dá visibilidade aos atores, aos discursos, às tensões. Se por um lado explora o uso das tecnologias e narrativas midiáticas, por outro promove a intencionalidade educativa no processo de comunicação. Até porque um curso se estrutura em objetivos educativos. Se este ator é o tutor, facilitador ou design instrucional, é uma questão de postura. Do educomunicador, de quem projeta o curso.
Por essas penso que um curso de EAD precisa ter um modelo pedagógico e comunicacional.
(Parece)
Se o professor ou o projetista de um curso EAD possui conhecimentos básicos de informática, domina o PowerPoint, gosta de escrever nas redes sociais ou se atreve a fazer uma edição simples de vídeo, bem, ele já está apto a criar todo o material do curso para um ambiente virtual de aprendizagem? Não sei vocês, mas acho muito pouco. E acredito que a maioria de vocês esteja sempre se deparando com isso aqui e acolá.
Vejam a diferença: Enquanto eu, como usuário, tenho inúmeras possibilidades de participação e interação em vários sites e redes sociais que acesso, nas salas de aula virtuais sou limitado à interação com o conteúdo de maneira passiva. Por quê? A cada estudo que se faz da EAD atualmente, "os números que mais gritam" são os de evasão. Podemos pensar em várias respostas, como falta de tempo do aluno, dificuldades de gerenciamento de informação/ensino, incapacidade do aluno em relação ao conteúdo proposto.
É preciso se colocar diante da realidade no virtual de maneira diferente.
(Devemos combater a educação bancária virtual!!!!)
E podemos ver uma mudança profunda quando inter-relacionamos a educação e a comunicação.
Entendam, um Ambiente Virtual de Aprendizagem é um ecossistema comunicacional. E os atores da educação precisam explorar isso, fugindo do modelo matemático de comunicação (emissor ⇒ receptor) e potencializando a rede e sua cultura interativa (⇔), colaborativa e distribuída. Aqui o conceito de Educomunicação pode nos ajudar a entender os desafios da EAD para uma prática da educação alinhada ao contexto interativo e dialógico do acesso do usuário/aluno na internet.
O conceito foi desenvolvido pelo Núcleo de Comunicação e Educação (NCE), da Universidade de São Paulo, sob a coordenação do prof. Dr. Ismar de Oliveira Soares, com o objetivo de estudar as inter-relações entre a Educação e a Comunicação e contribuir para identificar novas metodologias de ensino e aprendizagem. Se antes se discutia o uso de técnicas de rádio e jornal para dentro da sala de aula, na Educação a Distância fica clara a necessidade de se estudar com mais potência esta abordagem, desde a maneira como é montada toda a estrutura dentro de um Ambiente Virtual de Aprendizagem, quanto ao uso de narrativas midiáticas para construção de conteúdos.
Mas a comunicação não deve ser apenas um instrumento. Como escrevi no começo, não adianta saber criar um powerpoint, ou inserir texto no Moodle. É preciso refletir os processos comunicacionais do usuário inserido na web, as diversas narrativas e representações, os agentes que se colocam em relação com a aprendizagem. O aluno não se interessa por um mero transmissor de conteúdo/mensagem. Ele quer participar, seja pelas vias oficiais, ou pelos grupos/comunidades alternativas no Facebook. E o ambiente virtual de aprendizagem e o conteúdo educacional precisam apoiar e motivar esta participação.
Ao construir um ambiente como esse, é preciso estimular a comunicação para todos os usuários, facilitar o processo de construção do conhecimento, usar todo o potencial das tecnologias de informação e comunicação, criar espaços de interlocução. Um gestor de comunicação, ou educomunicador, é peça fundamental na construção deste processo de aprendizagem (se houver liberdade para uma construção em equipe, de preferência multidisciplinar).
O educomunicador é um facilitador, planeja a comunicação, media, explora os meios. Ele também é sujeito, possui um lugar de fala e dá visibilidade aos atores, aos discursos, às tensões. Se por um lado explora o uso das tecnologias e narrativas midiáticas, por outro promove a intencionalidade educativa no processo de comunicação. Até porque um curso se estrutura em objetivos educativos. Se este ator é o tutor, facilitador ou design instrucional, é uma questão de postura. Do educomunicador, de quem projeta o curso.
Por essas penso que um curso de EAD precisa ter um modelo pedagógico e comunicacional.
Referência:
DE MELLO, Luci Ferraz. Educomunicação na Educação a Distância: o Diálogo a partir das Mediações do Tutor. Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em "Ciência da Comunicação", ECA/USP. São Paulo, 2010
segunda-feira, 19 de maio de 2014
Vídeos educativos como ferramenta fundamental para um curso EAD
Como podemos ver na atualidade, o vídeo é uma tendência de consumo que se tornou realidade na internet. Todos os dias acompanhamos vídeos sendo compartilhados em nossas redes sociais, empresas se utilizando de narrativas em vídeo para divulgar seus produtos e serviços, o humor ganhando força através de canais no youtube, e uma série de oportunidades que mostram o crescimento exponencial no uso desta ferramenta.
Na educação a distância, podemos ver a presença cada vez mais forte de vídeos-aula, o que oferece uma riqueza educacional que precisa ser explorada para o bem. Se chegamos a criticar muitos dos cursos EAD que apenas migram seu conteúdo presencial para o virtual, sem se preocupar com a diferença contextual e narrativa, temos que ter cautela com os vídeos na E@D.
Mas é cada vez mais certo que vídeos educacionais são e serão peças fundamentais para a aprendizagem na internet, assim como outras narrativas e métodos, como games, aplicativos/dispositivos móveis, realidade aumentada, entre outros. O professor ou conteudista deve se adequar a estas experiências, que são cotidianas na vida de muitos internautas.
Pesquisas já apontam para a importância dos vídeos no cotidiano virtual. Segundo o Youtube, mais de um milhão de usuários únicos acessam a plataforma por mês; esses assistem mais de 6 bilhões de horas de vídeo no mesmo período; a cada minutos usuários compartilham 100 horas de vídeo. Previsões da Cisco mostram que em 2017 que 69% de todo o tráfego da internet será de usuários acessando vídeos. Avançar na qualidade dos vídeos educacionais é uma necessidade.
Vídeo é um formato, ok? Através deste formato, podemos explorar diferentes modos e narrativas. Hoje temos acesso a vídeos tutoriais, entrevistas, documentários, animações, webinars, videoconferência, entre outros.
Mas quando tratamos de vídeos educacionais, precisamos pensar primeiramente em nosso público e no contexto em que este vídeo estará inserido. Por exemplo, podemos pensar em um curso dentro de uma rede social. Se ele não explorar a condição e características de um espaço social, este vídeo pode não atingir o potencial do ambiente e do usuário. Nesse sentido, como aproveitar?
Ao pensar na utilização de vídeos, podemos pensar em algumas etapas. Separei algumas dicas do artigo do professor Oscar Montero que deu base a este post. Vejamos:
Vejam o material preparado pelo pesquisador Antonio Cordeiro. Participei de algumas experimentações e discussões sobre o uso de videoconferência na sala de aula com Cordeiro, e ele tem avançado nas pesquisas sobre o assunto. Sabemos que com apenas um computador com internet, um software adequado, uma webcam e um microfone, qualquer professor consegue fazer uma transmissão ao vivo. Como vimos antes, mais eficiente será o professor que seguir a partir de um planejamento, para evitar imprevistos. Este material nos apresenta guias, metodologias e a experiência dele na Agência Nacional de Saúde Suplementar. Vale a pena
Referências:
Na educação a distância, podemos ver a presença cada vez mais forte de vídeos-aula, o que oferece uma riqueza educacional que precisa ser explorada para o bem. Se chegamos a criticar muitos dos cursos EAD que apenas migram seu conteúdo presencial para o virtual, sem se preocupar com a diferença contextual e narrativa, temos que ter cautela com os vídeos na E@D.
Mas é cada vez mais certo que vídeos educacionais são e serão peças fundamentais para a aprendizagem na internet, assim como outras narrativas e métodos, como games, aplicativos/dispositivos móveis, realidade aumentada, entre outros. O professor ou conteudista deve se adequar a estas experiências, que são cotidianas na vida de muitos internautas.
Pesquisas já apontam para a importância dos vídeos no cotidiano virtual. Segundo o Youtube, mais de um milhão de usuários únicos acessam a plataforma por mês; esses assistem mais de 6 bilhões de horas de vídeo no mesmo período; a cada minutos usuários compartilham 100 horas de vídeo. Previsões da Cisco mostram que em 2017 que 69% de todo o tráfego da internet será de usuários acessando vídeos. Avançar na qualidade dos vídeos educacionais é uma necessidade.
Mas fazer vídeos é apenas gravar qualquer coisa?
Vídeo é um formato, ok? Através deste formato, podemos explorar diferentes modos e narrativas. Hoje temos acesso a vídeos tutoriais, entrevistas, documentários, animações, webinars, videoconferência, entre outros.
Mas quando tratamos de vídeos educacionais, precisamos pensar primeiramente em nosso público e no contexto em que este vídeo estará inserido. Por exemplo, podemos pensar em um curso dentro de uma rede social. Se ele não explorar a condição e características de um espaço social, este vídeo pode não atingir o potencial do ambiente e do usuário. Nesse sentido, como aproveitar?
Ao pensar na utilização de vídeos, podemos pensar em algumas etapas. Separei algumas dicas do artigo do professor Oscar Montero que deu base a este post. Vejamos:
- Utilize um guia ou um Storyboard: um bom vídeo não consiste em criar por criar, nem criar em tempo real. Faça um guia que siga uma boa estrutura pedagógica. Isso o fará ganhar tempo. E cumprirá melhor seu objetivo.
- Utilize exemplos familiares: Por que explicar conceitos complexos de maneira técnica quando podemos fazer através de objetos ou situações comuns? Olhe as mudanças que vem acontecendo com os documentários de televisão, mostrando ciência e e outras disciplinas para o espectador através de experiências e exemplos com objetos comuns ao cotidiano.
- Pense em seu público/aluno: simpatize com eles. Ofereça-lhes o que você acha que eles querem e adeque o conteúdo e a mensagem para o seu atender a esta demanda.
- Cuide da estética: dê uma imagem atualizada e bem trabalhada. Tente surpreender, mostre algo diferente, na medida do possível.
- O poder da imaginação: ofereça algo novo. Se temos 20 vídeos na internet que tratam sobre o que quer ensinar, aborde de modo diferente, traga algo novo.
- Adicione Interatividade: Em determinados casos, o vídeo pode encorajar passividade. Mas podemos adicionar interatividade, desafiando o espectador através de perguntas, incitando-o a fazer alguma coisa ou ativando sua memória.
- Reduza o conteúdo: seja claro e conciso. Por que explicar em 10 minutos o que se pode explicar em 2?
- Cuide do áudio: certifique-se que você está ouvindo com clareza e elimine o ruído de fundo. Em vídeos assíncronos, cuide dos aspectos auditivos: áudio limpo, música de acompanhamento, vz em off...
- Dê um toque cinematográfico: não precisa ser um Spielberg, mas tome licença para fazer um vídeo mais agradável. Utilize duas câmeras. realize primeiros planos, grave perspectivas e novos ângulos... Na internet é possível achar diversos programas de edição de vídeos simples que podem te ajudar a fazer uma boa montagem.
- Deixe-os fazer: utilize o vídeo como estratégia para que os alunos criem e realizem atividades e tarefas. Hoje em dia qualquer um pode gravar, editar e fazer upload de vídeos no youtube ou vimeo.
- E, sobre tudo, tenha claro seu objetivo: O importante não é que o vídeo seja bom, mas que sirva para cumprir sua finalidade: promover a aprendizagem
Para avançar na discussão
Vejam o material preparado pelo pesquisador Antonio Cordeiro. Participei de algumas experimentações e discussões sobre o uso de videoconferência na sala de aula com Cordeiro, e ele tem avançado nas pesquisas sobre o assunto. Sabemos que com apenas um computador com internet, um software adequado, uma webcam e um microfone, qualquer professor consegue fazer uma transmissão ao vivo. Como vimos antes, mais eficiente será o professor que seguir a partir de um planejamento, para evitar imprevistos. Este material nos apresenta guias, metodologias e a experiência dele na Agência Nacional de Saúde Suplementar. Vale a pena
BLOG CONASA DIGITAL. Montero, Oscar. Video-learning, una apuesta de futuro. fevereiro de 2014. http://blog.conasa.net/2014/02/video-learning-una-apuesta-de-futuro/
sexta-feira, 11 de abril de 2014
Pensar em redes indo além das simples ligações entre nós: clustering e hubs
Bem vindo ao mundo das redes. Estamos conectados, temos potencial para tanto. Com um perfil no Facebook, eu posso encontrar milhares de pessoas que já foram presentes em minha vida, ou até conhecer novas pessoas. Com um blog, ou um canal do youtube, eu posso expressar o que eu quiser. As redes nos dá potencialidades de produção de conteúdo, construção do conhecimento, e conexões. Mas antes de louvar a Web 2.0 ou a sociedade em rede, é preciso saber: tudo que é colocado na internet é visível? Eu sou uma pessoa fácil de encontrar?
Se estamos numa sociedade altamente conectada, a resposta provável é que sim. Se a definição de rede social é sobre nós conectados, e se estamos inseridos nas redes (na minha rede social, na rede de computadores, ou em qualquer rede), então não temos o que temer. Na famosa imagem de rede de Paul Baran, a lógica de conexão nos faz imaginar em uma rede distribuída que conecta tudo... mas redes não são apenas nós conectados. Quando falamos de internet e redes sociais, devemos pensar nas dinâmicas do cotidiano, das altas interações, do movimento, da aglomeração.
O ponto principal da rede social é a interação. E segundo Augusto de Franco, "tudo que interage clusteriza, independentemente do conteúdo, em função dos graus de distribuição e conectividade (ou interatividade) da rede social"
Clustering são os aglomerados. E nos aglomerados de pessoas, de instituições, de atores-rede, precisamos considerar as diversas possibilidades na interação. Pessoas são diferentes, com culturas diferentes, histórias diferentes, estão em territórios diferentes, possuem suas manias, suas loucuras, seus interesses. Com as instituições podemos pensar o mesmo. Nesse sentido, redes não são apenas nós ligados entre si. São movimentos com vida, possuem sentidos para sua existência. Pensar em redes (ou na sua construção de plataformas/ambientes para sua dinâmica) sem considerar o dinamismo, o contexto, os sentidos, ou a força construída através desta aglomeração, é deixar de olhar, de fato, para o seu potencial.
Isso significa que o potencial de uma plataforma de rede não é a tecnologia, mas a interação que se faz neste ambiente. E a tecnologia precisa seguir este lado potente.
E se pensamos numa rede clusterizada, como podemos pensar nas possibilidades de visibilidade do seu conteúdo?
HUBS
Sabemos das possibilidades de conexão que as redes sociais proporcionam para o usuário da ponta. As ferramentas Web 2.0 potencializam o internauta a uma participação ativa no ciberespaço. Ferramentas e ambientes com interfaces simples, como este blog, um twitter, um canal no youtube. Qualquer pessoa com um mínimo de experiência consegue criar o seu canal com o mundo. Ao mesmo tempo, numa rede altamente conectada, qualquer pessoa pode te encontrar (talvez seguindo aqueles passos da teoria dos seis graus de separação).Mas, como lembra Barabasi, "para ser lido, é preciso ter visibilidade".
Ok, eu tenho potencial para ter o meu canal de comunicação com o mundo. As mesmas possibilidades técnicas do site das organizações globo (alguns dirão que não, mas a discussão não vem ao caso). Mas numa rede distribuída, por que eles conseguem mais visibilidade que o meu blog?
Como vimos antes, ao se pensar em redes, deixemos de lado o modelo estático de nós conectados e devemos pensr num organismo vivo, clusterizado, aglomerado. São pessoas que se conectam, que possuem sentimentos, interesses, culturas, experiências. Lula e FHC estão na rede, eles tem potencialidade de conexão, mas será que eles querem se conectar?
As redes sociais possuem nós/nodos e conexões. Só que uns tem mais conexões que outros. Isso não significa que estamos diante de redes centralizadas (que é um ponto que se coloca em um modelo mais estrutural, e não no que estamos refletindo aqui). A esses damos o nome de conectores, ou Hubs. São nós (pessoas, instituições, organizações, entre outros) que possuem alguma coisa que faz ter mais conexões. Eles possuem mais links, mais arestas que os conectam a outros nós. Segundo Emanuel Rosen, que traz o conceito de Network Hub, são indivíduos que se comunicam com mais pessoas sobre um determinado produto que um indivíduo normal.
Eles estão nos mais diferentes sistemas complexos. Em redes sociais (virtuais ou não), são aqueles que criam tendências, compartilham as notícias, criam conexões. São os que aproximam, que criam atalhos, formando uma estrutura de mundo pequeno (fazendo com que qualquer nó consiga chegar a outro nó sem dificuldade). Pensando numa rede como o SUS, em seu território, quem será o Hub da equipe de saúde da família, o médico ou o agente comunitário de saúde?
Um Hub é um influenciador. É o que pode potencializar a distribuição da informação. É o blogueiro da diabetes, que consegue unir e chamar a atenção para diversas discussões, protagonizando uma rede que conta com atores institucionalizados, laboratórios farmacêuticos, usuários e pesquisadores. Mas ele pode ser um Hub nessa rede, pois ele tem o poder simbólico (como diria Bourdieu), "o poder de fazer ver e fazer crer", o carisma. Na base da meritocracia.
Se existe o nó que chama mais atenção que outro dentro de uma rede complexa, então há um pequeno grande problema. Barabasi nos aponta que "os Hubs são o mais forte argumento contra a visão utópica de um ciberespaço igualitário" (pg 53).
Com a Web 2.0, podemos publicar o que quisermos (mas nos responsabilizando pelo conteúdo publicado, isso tem que ser óbvio). Mas será que esse texto aqui será percebido? Quantos irão ler? E compartilhar? As ferramentas de buscas são desfavoráveis aos sites com pouca conexão, às vezes os ignoram no rastreamento geral, tornando interessante aqueles que atendem aos critérios de seu algoritmo, entre eles o grau de conectividade.
Referências
- @augustodefranco - FRANCO, Augusto de. Fluzz. 2013. Acesso em http://lasindias.com/images/b/bb/Fluzz_libro.pdf
- BARABÁSI, Albert-Lázló. Linked: A nova ciência dos networks. São Paulo:Leopardo Editora. 2009. Acesse o BarabasiLab aqui.
- @EmanuelRosen - ROSEN, Emanuel. The anatomy of buzz: how to create word of mouth. New York : Doubleday, 2000
sábado, 5 de abril de 2014
Comunicação e Saúde I - reflexões sobre os desafios no SUS
O texto que se segue é uma pequena reflexão sobre "Comunicação e Saúde: Desafios práticos e conceituais" (caderno Mídia e Saúde Pública - 20 anos do SUS), de Valdir de Castro Oliveira, docente do Programa de Pós-Graduação Strictu Senso de Informação e Comunicação em Saúde, PPGICS/Fiocruz. O recorte do texto aponta para a discussão teórica da comunicação problematizando o estabelecimento de redes de poder e de manutenção de práticas sociais vistas como "verticalizantes", na linha da busca da eficiência do broadcast, que caminham "numa direção contrária ás práticas discursivas horizontalizantes ou dialógicas" (Oliveira, p.12). Isso cria uma relação complexa entre os dois campos, ainda mais quando o campo da saúde toma como base os princípios do Sistema Único de Saúde.
Aliás, deixo registrado a admiração ao professor e ativista da Comunicação em Saúde.
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Ao levar em consideração as características do SUS, que já são conflitantes com o modelo biomédico ou o conceito de saúde da medicina, é importante pensarmos no papel da comunicação e da informação além da sua forma funcionalista. Se pensamos o SUS como um espaço que dá voz aos outros, que propõem um modelo universalizante, integralizante e igualitário (equidade), e que permite o dialogismo social, é importante entender a comunicação e a informação como processos simbólicos, dialógicos, interativos, receptivos à alteridade.
"Ao se propor e efetivar um novo modelo de saúde pelo SUS (universalidade, equidade e integralidade), simultaneamente são constituídos novas demandas teóricas, reflexivas e práticas que irão conformar e definir a performance das intervenções feitas pelas políticas públicas, e pressupõe-se que aconteça o mesmo com os outros campos de conhecimento que giram em torno do campo da saúde" (OLIVEIRA, pg 14)
Nesse sentido, é preciso repensar as práticas de comunicação atreladas ao SUS. Se há a preocupação
em obter um rendimento "eficiente" na transmissão de mensagens, limitando as possibilidades de participação e até negociação de sentidos pelo público-alvo (termo que contrapõe ao sentido de interlocutor), então não se atinge a necessidade de dimensionar a comunicação como prática dialógica, baseada na alteridade e na interação.
"Essa questão se torna imperativa para se pensar o binômio Comunicação & Saúde e, consequentemente, se pesquisar, avaliar e propor modelos comunicacionais e informacionais condizentes com a proposta de inversão do modelo de saúde" (OLIVEIRA, pg 15)
Para entender os processos de participação e mobilização social na área da saúde, é importante se pensar nos rituais da participação e como eles se tornam visíveis para os diversos atores e públicos da mobilização e como funcionam as barreiras simbólicas impostas pela hierarquia social nesse processo, dificultando ou impedindo a participação popular nas políticas públicas da saúde (ou do dia-a-dia). De certo, infelizmente, as instâncias de participação popular não existem ou funcionam fora de práticas discursivas constituídas por diferentes modos de produção, circulação e recepção de bens simbólicos, impedindo a formação e estabelecimento de redes internas e externas de comunicação e informação.
Paulo Freire, como lembra OLIVEIRA, pensava nos processos de comunicação que levam em conta a presença ativa e curiosa dos sujeitos na construção, admiração e readmiração do mundo (de um mundo que não fosse estranho a eles - alienação). Para isso, defende que a comunicação verdadeiramente democrática e passível de tornar o homem responsável pelo seu próprio destino, e capaz de problematizar o mundo, se dê por meio da relação dialógica em que "todo ato de pensar exige um sujeito que pensa, um objeto pensado, que mediatiza o primeiro sujeito, e a comunicação entre ambos, que se dá entre signos linguísticos" (FREIRE, 1971)
"Dessa reflexão, podemos deduzir que o exercício da participação popular e do controle público (que envolve a participação) só pode ocorrer em um determinado campo cultural ou político em que existam informações disponíveis e a capacidade dos atores sociais que ali atuam em interpretar e atribuir novos sentidos a elas (alteridade), o que contraria a ideia da teoria instrumental da comunicação e da informação. O pressuposto é o de que os indivíduos são capazes de transformar determinados estímulos informacionais e comunicacionais em formas cognitivas, tanto para conhecer a realidade que os cerca quanto para agir sobre ela, o que gera uma forma particular de percepção sobre os acontecimentos que ocorrem nesse ambiente" (OLIVEIRA, pg 17).
Na conclusão, OLIVEIRA propõe converter os conceitos de polifonia e interlocução como métodos de pesquisa. E claro, aponta para a necessidade de se produzir condições para que as informações que circulam sejam fator de mudanças que vão permitir o diálogo social.
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Referências:
OLIVEIRA, V. C. Comunicação e Saúde: Desafios práticos e conceituais. In Caderno Mídia
e Saúde pública: 20 anos do SUS e 60 anos da Declaração Universal dos Direitos
Humanos. Belo Horizonte: ESP MG, 2008. p. 11-22. Acesso em http://www.esp.mg.gov.br/wp-content/uploads/2009/06/caderno-midia-e-saude-publica-3.pdf
sexta-feira, 4 de abril de 2014
Discutindo o potencial das hashtags
Já virou mania. A cada dia surge uma campanha que movimenta pessoas com suas opiniões e perspectivas, a partir de um tema que pode parecer comum entre milhares, milhões de pessoas. Seja em qualquer plataforma de rede social, acampar uma discussão remete ao uso de um comando que ajuda a criar conexões. Sim, a Hashtag ganha força cada vez mais no cotidiano das pessoas.
Pode parecer simples, e talvez seja. O uso das hashtags tem aumentado siginificativamente. Bem, isso é o que diz a pesquisa realizada pela SocialBakers, empresa que analisa métricas nas redes sociais mais populares, que apontou que o uso da cerquilha antecedendo uma palavra-chave se tornou cada vez mais popular no facebook, assim como já era no twitter e no instagram.
Segundo a pesquisa, o uso no twitter continua tendo a mesma frequência do ano passado. Foi pelo twitter que a hashtag ficou popular como um marcador e um hiperlink, ajudando a categorizar as mensagens. Isso se iniciou em 2009, e talvez a experiência no uso nesses anos já seja algo comum entre seus usuários. O próprio Twitter foi valorizando o comando, criando os trending topics com os assuntos mais discutidos no dia, ou os próprios usuários foram popularizando comandos de socialização, como o #ff (Follow Friday - seguir sexta-feira).
No facebook, o uso da hashtag como um hiperlink de conexão é relativamente recente (foi adotado em 12 de junho de 2013, como podemos ver aqui). Como mostra a pesquisa, o uso massivo do marcador revela que o usuário do facebook adotou a prática em seus posts. As questões são: Para que os usuários utilizam as hashtags? Será que conhecem o potencial deste comando?
Dissecando a #hashtag
Tendo a achar que a grande maioria utiliza as hashtags como palavras-chave, para destacar um assunto no post, trazer palavras não ditas, fazer marketing.
Ao usar a hashtag, o usuário utiliza (às vezes cria) uma conexão. Ele associa seu post a um ponto que une outros posts. E é uma indexação, onde é possível referenciar o seu post para facilitar a recuperação da informação - só que, pelas redes sociais, essa indexação é colaborativa.
Utilizar a hashtag de maneira consciente permite uma gestão da informação eficiente.
Recentemente, participei do grupo que coordenou a IV Mostra Nacional de Experiências em Atenção Básica/Saúde da Família. Entendendo que todos os presentes eram, de fato, potenciais mídias, fez-se uma opção estratégica de utilizar hashtags definidas. Através das #ivmostra e #mostrasaude, criou-se pontos de conexão. Isso ajudaria/ajudou a:
- Criar uma comunicação colaborativa. Se cada um dos presentes era uma potencial mídia, então estimular a produção de informação da rede, através de um ponto de conexão, que é a hashtag, permitiu ao evento uma dimensão muito maior que teria se apenas se focasse nos meios de comunicação tradicionais (jornais, revistas, jornalistas, assessoria de imprensa);
- Facilitar na recuperação de informação. Hoje o mundo está conectado, existem diversos meios de comunicação, e ir atrás do conteudo produzido por milhares de pessoas seria um trabalho árduo. Através das hashtag, é possível direcionar a busca pelas informações dos presentes nas redes sociais que usam o comando.
- Criar uma memória viva. O evento acabou, mas o uso da hashtag ainda continua. É o repositório orgânico. Se os organizadores quiserem, podem movimentar este repositório, solicitando psts, incentivando a construção contínbua da memória.
A experiência foi eficiente no que se propôs. Talvez os participantes que fizeram uso da hashtags não tenham feito de maneira consciente com o que estava sendo proposto. Mas de alguma maneira ele se conectou a outros. E se fez uma rede. Bem, seria legal se todos soubessem aproveitar este potencial.
E a #hashtag na educação?
Bem, a partir do que vimos até aqui, dá pra ter uma ideia de como este comando pode criar uma série de coisas. Para o processo de educação e aprendizagem, a hashtag pode ser muito útil. Com base no que vimos, ele pode ajudar na (1) comunicação colaborativa, permitindo que as discussões sejam coletivizadas para uma participação para contribuir e construir o conhecimento (e fazer com que a discussão da aula ganhe uma dimensão maior, pois permite que outros atores participem); (2) facilidade de recuperação da informação, o que ajuda o aluno a formar sua aprendizagem de maneira individual e autônoma, e a turma, de maneira colaborativa; (3) construção de uma memória viva, com a participação de todos os envolvidos na aprendizagem.Referências:
Gizmodo. A #hashtag está prestes a se espalhar para um bilhão de usuários. Mas por que ela foi criada? Acesse: http://gizmodo.uol.com.br/historia-hashtag/SocialBakers. Hashtags Increasingly Popular on Facebook. Acesse: http://www.socialbakers.com/blog/2143-hashtags-increasingly-popular-on-facebook
Twitter. O que são os marcadores (símbolos de "#")? Acesse: http://support.twitter.com/articles/255508-o-que-e-um-marcador
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