sexta-feira, 11 de abril de 2014

Pensar em redes indo além das simples ligações entre nós: clustering e hubs



Bem vindo ao mundo das redes. Estamos conectados, temos potencial para tanto. Com um perfil no Facebook, eu posso encontrar milhares de pessoas que já foram presentes em minha vida, ou até conhecer novas pessoas. Com um blog, ou um canal do youtube, eu posso expressar o que eu quiser. As redes nos dá potencialidades de produção de conteúdo, construção do conhecimento, e conexões. Mas antes de louvar a Web 2.0 ou a sociedade em rede, é preciso saber: tudo que é colocado na internet é visível? Eu sou uma pessoa fácil de encontrar?

Se estamos numa sociedade altamente conectada, a resposta provável é que sim. Se a definição de rede social é sobre nós conectados, e se estamos inseridos nas redes (na minha rede social, na rede de computadores, ou em qualquer rede), então não temos o que temer. Na famosa imagem de rede de Paul Baran, a lógica de conexão nos faz imaginar em uma rede distribuída que conecta tudo... mas redes não são apenas nós conectados. Quando falamos de internet e redes sociais, devemos pensar nas dinâmicas do cotidiano, das altas interações, do movimento, da aglomeração.

O ponto principal da rede social é a interação. E segundo Augusto de Franco, "tudo que interage clusteriza, independentemente do conteúdo, em função dos graus de distribuição e conectividade (ou interatividade) da rede social"



Clustering são os aglomerados. E nos aglomerados de pessoas, de instituições, de atores-rede, precisamos considerar as diversas possibilidades na interação. Pessoas são diferentes, com culturas diferentes, histórias diferentes, estão em territórios diferentes, possuem suas manias, suas loucuras, seus interesses. Com as instituições podemos pensar o mesmo. Nesse sentido, redes não são apenas nós ligados entre si. São movimentos com vida, possuem sentidos para sua existência. Pensar em redes (ou na sua construção de plataformas/ambientes para sua dinâmica) sem considerar o dinamismo, o contexto, os sentidos, ou a força construída através desta aglomeração, é deixar de olhar, de fato, para o seu potencial.

Isso significa que o potencial de uma plataforma de rede não é a tecnologia, mas a interação que se faz neste ambiente. E a tecnologia precisa seguir este lado potente.

E se pensamos numa rede clusterizada, como podemos pensar nas possibilidades de visibilidade do seu conteúdo?

HUBS

Sabemos das possibilidades de conexão que as redes sociais proporcionam para o usuário da ponta. As ferramentas Web 2.0 potencializam o internauta a uma participação ativa no ciberespaço. Ferramentas e ambientes com interfaces simples, como este blog, um twitter, um canal no youtube. Qualquer pessoa com um mínimo de experiência consegue criar o seu canal com o mundo. Ao mesmo tempo, numa rede altamente conectada, qualquer pessoa pode te encontrar (talvez seguindo aqueles passos da teoria dos seis graus de separação).

Mas, como lembra Barabasi, "para ser lido, é preciso ter visibilidade".

Ok, eu tenho potencial para ter o meu canal de comunicação com o mundo. As mesmas possibilidades técnicas do site das organizações globo (alguns dirão que não, mas a discussão não vem ao caso). Mas numa rede distribuída, por que eles conseguem mais visibilidade que o meu blog?

Como vimos antes, ao se pensar em redes, deixemos de lado o modelo estático de nós conectados e devemos pensr num organismo vivo, clusterizado, aglomerado. São pessoas que se conectam, que possuem sentimentos, interesses, culturas, experiências. Lula e FHC estão na rede, eles tem potencialidade de conexão, mas será que eles querem se conectar?

As redes sociais possuem nós/nodos e conexões. Só que uns tem mais conexões que outros. Isso não significa que estamos diante de redes centralizadas (que é um ponto que se coloca em um modelo mais estrutural, e não no que estamos refletindo aqui). A esses damos o nome de conectores, ou Hubs. São nós (pessoas, instituições, organizações, entre outros) que possuem alguma coisa que faz ter mais conexões. Eles possuem mais links, mais arestas que os conectam a outros nós. Segundo Emanuel Rosen, que traz o conceito de Network Hub, são indivíduos que se comunicam com mais pessoas sobre um determinado produto que um indivíduo normal.

Eles estão nos mais diferentes sistemas complexos. Em redes sociais (virtuais ou não), são aqueles que criam tendências, compartilham as notícias, criam conexões. São os que aproximam, que criam atalhos, formando uma estrutura de mundo pequeno (fazendo com que qualquer nó consiga chegar a outro nó sem dificuldade). Pensando numa rede como o SUS, em seu território, quem será o Hub da equipe de saúde da família, o médico ou o agente comunitário de saúde?

Um Hub é um influenciador. É o que pode potencializar a distribuição da informação. É o blogueiro da diabetes, que consegue unir e chamar a atenção para diversas discussões, protagonizando uma rede que conta com atores institucionalizados, laboratórios farmacêuticos, usuários e pesquisadores. Mas ele pode ser um Hub nessa rede, pois ele tem o poder simbólico (como diria Bourdieu), "o poder de fazer ver e fazer crer", o carisma. Na base da meritocracia.

Se existe o nó que chama mais atenção que outro dentro de uma rede complexa, então há um pequeno grande problema. Barabasi nos aponta que "os Hubs são o mais forte argumento contra a visão utópica de um ciberespaço igualitário" (pg 53).

Com a Web 2.0, podemos publicar o que quisermos (mas nos responsabilizando pelo conteúdo publicado, isso tem que ser óbvio). Mas será que esse texto aqui será percebido? Quantos irão ler? E compartilhar? As ferramentas de buscas são desfavoráveis aos sites com pouca conexão, às vezes os ignoram no rastreamento geral, tornando interessante aqueles que atendem aos critérios de seu algoritmo, entre eles o grau de conectividade.


Referências

  • @augustodefranco - FRANCO, Augusto de. Fluzz. 2013. Acesso em http://lasindias.com/images/b/bb/Fluzz_libro.pdf 
  • BARABÁSI, Albert-Lázló. Linked: A nova ciência dos networks. São Paulo:Leopardo Editora. 2009. Acesse o BarabasiLab aqui.
  • @EmanuelRosen - ROSEN, Emanuel. The anatomy of buzz: how to create word of mouth. New York : Doubleday, 2000

sábado, 5 de abril de 2014

Comunicação e Saúde I - reflexões sobre os desafios no SUS



O texto que se segue é uma pequena reflexão sobre "Comunicação e Saúde: Desafios práticos e conceituais" (caderno Mídia e Saúde Pública - 20 anos do SUS), de Valdir de Castro Oliveira, docente do Programa de Pós-Graduação Strictu Senso de Informação e Comunicação em Saúde, PPGICS/Fiocruz. O recorte do texto aponta para a discussão teórica da comunicação problematizando o estabelecimento de redes de poder e de manutenção de práticas sociais vistas como "verticalizantes", na linha da busca da eficiência do broadcast, que caminham "numa direção contrária ás práticas discursivas horizontalizantes ou dialógicas" (Oliveira, p.12). Isso cria uma relação complexa entre os dois campos, ainda mais quando o campo da saúde toma como base os princípios do Sistema Único de Saúde.
Aliás, deixo registrado a admiração ao professor e ativista da Comunicação em Saúde.

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Ao levar em consideração as características do SUS, que já são conflitantes com o modelo biomédico ou o conceito de saúde da medicina, é importante pensarmos no papel da comunicação e da informação além da sua forma funcionalista. Se pensamos o SUS como um espaço que dá voz aos outros, que propõem um modelo universalizante, integralizante e igualitário (equidade), e que permite o dialogismo social, é importante entender a comunicação e a informação como processos simbólicos, dialógicos, interativos, receptivos à alteridade.

"Ao se propor e efetivar um novo modelo de saúde pelo SUS (universalidade, equidade e integralidade), simultaneamente são constituídos novas demandas teóricas, reflexivas e práticas que irão conformar e definir a performance das intervenções feitas pelas políticas públicas, e pressupõe-se que aconteça o mesmo com os outros campos de conhecimento que giram em torno do campo da saúde" (OLIVEIRA, pg 14)

Nesse sentido, é preciso repensar as práticas de comunicação atreladas ao SUS. Se há a preocupação
em obter um rendimento "eficiente" na transmissão de mensagens, limitando as possibilidades de participação e até negociação de sentidos pelo público-alvo (termo que contrapõe ao sentido de interlocutor), então não se atinge a necessidade de dimensionar a comunicação como prática dialógica, baseada na alteridade e na interação.

"Essa questão se torna imperativa para se pensar o binômio Comunicação & Saúde e, consequentemente, se pesquisar, avaliar e propor modelos comunicacionais e informacionais condizentes com a proposta de inversão do modelo de saúde" (OLIVEIRA, pg 15)

Para entender os processos de participação e mobilização social na área da saúde, é importante se pensar nos rituais da participação e como eles se tornam visíveis para os diversos atores e públicos da mobilização e como funcionam as barreiras simbólicas impostas pela hierarquia social nesse processo, dificultando ou impedindo a participação popular nas políticas públicas da saúde (ou do dia-a-dia). De certo, infelizmente, as instâncias de participação popular não existem ou funcionam fora de práticas discursivas constituídas por diferentes modos de produção, circulação e recepção de bens simbólicos, impedindo a formação e estabelecimento de redes internas e externas de comunicação e informação.

Paulo Freire, como lembra OLIVEIRA, pensava nos processos de comunicação que levam em conta a presença ativa e curiosa dos sujeitos na construção, admiração e readmiração do mundo (de um mundo que não fosse estranho a eles - alienação). Para isso, defende que a comunicação verdadeiramente democrática e passível de tornar o homem responsável pelo seu próprio destino, e capaz de problematizar o mundo, se dê por meio da relação dialógica em que "todo ato de pensar exige um sujeito que pensa, um objeto pensado, que mediatiza o primeiro sujeito, e a comunicação entre ambos, que se dá entre signos linguísticos" (FREIRE, 1971)

"Dessa reflexão, podemos deduzir que o exercício da participação popular e do controle público (que envolve a participação) só pode ocorrer em um determinado campo cultural ou político em que existam informações disponíveis e a capacidade dos atores sociais que ali atuam em interpretar e atribuir novos sentidos a elas (alteridade), o que contraria a ideia da teoria instrumental da comunicação e da informação. O pressuposto é o de que os indivíduos são capazes de transformar determinados estímulos informacionais e comunicacionais em formas cognitivas, tanto para conhecer a realidade que os cerca quanto para agir sobre ela, o que gera uma forma particular de percepção sobre os acontecimentos que ocorrem nesse ambiente" (OLIVEIRA, pg 17).

Na conclusão, OLIVEIRA propõe converter os conceitos de polifonia e interlocução como métodos de pesquisa. E claro, aponta para a necessidade de se produzir condições para que as informações que circulam sejam fator de mudanças que vão permitir o diálogo social.



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Referências:

OLIVEIRA, V. C. Comunicação e Saúde: Desafios práticos e conceituais. In Caderno Mídia
e Saúde pública: 20 anos do SUS e 60 anos da Declaração Universal dos Direitos
Humanos. Belo Horizonte: ESP MG, 2008. p. 11-22. Acesso em http://www.esp.mg.gov.br/wp-content/uploads/2009/06/caderno-midia-e-saude-publica-3.pdf

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Discutindo o potencial das hashtags



Já virou mania. A cada dia surge uma campanha que movimenta pessoas com suas opiniões e perspectivas, a partir de um tema que pode parecer comum entre milhares, milhões de pessoas. Seja em qualquer plataforma de rede social, acampar uma discussão remete ao uso de um comando que ajuda a criar conexões. Sim, a Hashtag ganha força cada vez mais no cotidiano das pessoas.

Pode parecer simples, e talvez seja. O uso das hashtags tem aumentado siginificativamente. Bem, isso é o que diz a pesquisa realizada pela SocialBakers, empresa que analisa métricas nas redes sociais mais populares, que apontou que o uso da cerquilha antecedendo uma palavra-chave se tornou cada vez mais popular no facebook, assim como já era no twitter e no instagram.

Segundo a pesquisa, o uso no twitter continua tendo a mesma frequência do ano passado. Foi pelo twitter que a hashtag ficou popular como um marcador e um hiperlink, ajudando a categorizar as mensagens. Isso se iniciou em 2009, e talvez a experiência no uso nesses anos já seja algo comum entre seus usuários. O próprio Twitter foi valorizando o comando, criando os trending topics com os assuntos mais discutidos no dia, ou os próprios usuários foram popularizando comandos de socialização, como o #ff (Follow Friday - seguir sexta-feira).

No facebook, o uso da hashtag como um hiperlink de conexão é relativamente recente (foi adotado em 12 de junho de 2013, como podemos ver aqui). Como mostra a pesquisa, o uso massivo do marcador revela que o usuário do facebook adotou a prática em seus posts. As questões são: Para que os usuários utilizam as hashtags? Será que conhecem o potencial deste comando?

Dissecando a #hashtag


Tendo a achar que a grande maioria utiliza as hashtags como palavras-chave, para destacar um assunto no post, trazer palavras não ditas, fazer marketing. 

Ao usar a hashtag, o usuário utiliza (às vezes cria) uma conexão. Ele associa seu post a um ponto que une outros posts. E é uma indexação, onde é possível referenciar o seu post para facilitar a recuperação da informação - só que, pelas redes sociais, essa indexação é colaborativa.

Utilizar a hashtag de maneira consciente permite uma gestão da informação eficiente.

Recentemente, participei do grupo que coordenou a IV Mostra Nacional de Experiências em Atenção Básica/Saúde da Família. Entendendo que todos os presentes eram, de fato, potenciais mídias, fez-se uma opção estratégica de utilizar hashtags definidas. Através das #ivmostra e #mostrasaude, criou-se pontos de conexão. Isso ajudaria/ajudou a:


  1. Criar uma comunicação colaborativa. Se cada um dos presentes era uma potencial mídia, então estimular a produção de informação da rede, através de um ponto de conexão, que é a hashtag, permitiu ao evento uma dimensão muito maior que teria se apenas se focasse nos meios de comunicação tradicionais (jornais, revistas, jornalistas, assessoria de imprensa);
  2. Facilitar na recuperação de informação. Hoje o mundo está conectado, existem diversos meios de comunicação, e ir atrás do conteudo produzido por milhares de pessoas seria um trabalho árduo. Através das hashtag, é possível direcionar a busca pelas informações dos presentes nas redes sociais que usam o comando. 
  3. Criar uma memória viva. O evento acabou, mas o uso da hashtag ainda continua. É o repositório orgânico. Se os organizadores quiserem, podem movimentar este repositório, solicitando psts, incentivando a construção contínbua da memória.



A experiência foi eficiente no que se propôs. Talvez os participantes que fizeram uso da hashtags não tenham feito de maneira consciente com o que estava sendo proposto. Mas de alguma maneira ele se conectou a outros. E se fez uma rede. Bem, seria legal se todos soubessem aproveitar este potencial.

E a #hashtag na educação?

Bem, a partir do que vimos até aqui, dá pra ter uma ideia de como este comando pode criar uma série de coisas. Para o processo de educação e aprendizagem, a hashtag pode ser muito útil. Com base no que vimos, ele pode ajudar na (1) comunicação colaborativa, permitindo que as discussões sejam coletivizadas para uma participação para contribuir e construir o conhecimento (e fazer com que a discussão da aula ganhe uma dimensão maior, pois permite que outros atores participem); (2) facilidade de recuperação da informação, o que ajuda o aluno a formar sua aprendizagem de maneira individual e autônoma, e a turma, de maneira colaborativa; (3) construção de uma memória viva, com a participação de todos os envolvidos na aprendizagem.


Referências:

Gizmodo. A #hashtag está prestes a se espalhar para um bilhão de usuários. Mas por que ela foi criada? Acesse: http://gizmodo.uol.com.br/historia-hashtag/

SocialBakers. Hashtags Increasingly Popular on Facebook. Acesse: http://www.socialbakers.com/blog/2143-hashtags-increasingly-popular-on-facebook

Twitter. O que são os marcadores (símbolos de "#")? Acesse:  http://support.twitter.com/articles/255508-o-que-e-um-marcador


segunda-feira, 31 de março de 2014

Recursos Educacionais Abertos: Você sabe o que é?

Num mundo conectado, a colaboração é palavra de ordem. Se eu tenho algo que pode ser util ao coletivo, é preciso fazer rodar, compartilhar, e construir o que eu tenho com o que o outro tem. A tal inteligência coletiva só se faz presente quando entramos no processo de colaboração. Comunidades são criadas, tecnologias facilitam as trocas, e vamos recriando uma nova sociedade. É preciso deixar para trás o conformismo do individualismo, da concorrência, das disputas e da solidão.

E nesse cultura é preciso pensar em uma outra educação. Se pelas redes sociais conseguimos nos conectar, precisamos de processos de aprendizagem que sejam pautadas pela colaboração. E navegando pela internet através das minhas redes (meus contatos), conheci os Recursos Educacionais Abertos.

Logotipo do REA, desenhado por Jonathas Mello em parceria com a UNESCO

Assim como o software livre, o REA move milhares de pessoas, entre educadores, jornalistas, ativistas. O termo foi cunhado no Fórum de 2002 da Unesco sobre Softwares Didáticos Abertos, levando em consideração documentos internacionais como a Declaração Universal dos Direitos Humanos, a Convenção de Berna de 1971, definindo Recurso Educacional Aberto como

"os materiais de ensino, aprendizagem e investigação em quaisquer suportes, digitais ou outros, que se situem no domínio público ou que tenham sido divulgados sob licença aberta que permite acesso, uso, adaptação e redistribuição gratuitos por terceiros, mediante nenhuma restrição ou poucas restrições. O
licenciamento aberto é construído no âmbito da estrutura existente dos direitos de propriedade intelectual, tais como se encontram definidos por convenções internacionais pertinentes, e respeita a autoria da obra", como podemos ver na Declaração REA de Paris de 2012.

Resumindo: É um material educacional que pode ser utilizado por outrem. Isso significa que, através de uma licença e num formato de arquivo acessível, qualquer pessoa pode usar, mexer/remixar ou compartilhar livros, planos de aula, vídeos, áudios, imagens, apresentações e o que você permitir. Numa cultura de colaboração, você coopera facilitando o acesso ao que você cria para fins educacionais. É o conhecimento aberto, livre!

Isso pode ser interessante se você realmente entrar no espírito. Permitir que outros melhorem seu conteúdo, redistribuam, revisem, atualizem, é fazer a roda girar, participar de uma verdadeira transformação no mundo. Pois o conhecimento é construído de maneira colaborativa, com a presença de muitos. fazer que outros participem desta construção, emponderando o próximo.

Existe passo a passo para transformar meu material num REA?


Bem, o REA está focado nos recursos em si, e, para isso, algumas ações são importantes. É preciso pensar nessas possibilidades:

  1 - Conteúdo: é o material em si que você disponibilizará. Cursos completos, livros, artigos, coleções, materiais, entre outros. Mas antes de achar que seu material é aberto, faça a reflexão: é possível alguém usar e mexer neste arquivo? este conteúdo precisa estar em formato técnico aberto, para facilitar práticas como a remixagem. Por exemplo, pense se é melhor disponibilizar sua apresentação em pdf ou em ppt;

  2 - Ferramentas: Como vc disponibilizará. Usar software para auxiliar a criação, entrega, uso e melhoria do conteúdo é muito importante. Usar repositórios que ajudam a organizar e sejam de fácil busca, como é  caso do Campus Virtual de Saúde Pública Brasil (http://brasil.campusvirtualsp.org/repositorio) ou o Acervo de Recursos Educacionais em Saúde - ARES, da UNASUS (https://ares.unasus.gov.br/acervo/). Ou sites próprios, mas que dê condições para o reuso.

  3- Recursos para implementação: É preciso resguardar o material através das licenças abertas. Definir licenças de propriedade intelectual, com o objetivo de promover a publicação aberta de materiais. Alguns dos repositórios já possuem licenças pré-definidas, ou dão condições do usuário escolher a licença. Para aqueles que desejam colocar seu material num site próprio, é possível publicar na plataforma CC - Creative Commons, através deste link http://creativecommons.org/choose/?lang=pt

  4 - Práticas: É preciso incorporar em suas ações, em seus materiais, nas ferramentas as narrativas de uso. Incentivar, distribuir, reutilizar.

Tipos de Licença


O Creative Commons é uma organização sem fins lucrativos, que permite o compartilhamento e o uso da criatividade e do conhecimento através de licenças jurídicas gratuitas, fazendo com que o autor diga para todos como a sua obra poderá ser utilizada. A licença CC vai proteger as pessoas que vão usar seus conteúdo para não haver violação de direitos autorais, desde que obedeçam as condições escolhidas pelo autor. Se nós queremos fazer com que o nosso conteúdo seja compartilhado para a construção do conhecimento coletivo, então é preciso conhecermos as licenças Creative Commons. Bem, para não extender este artigo, sugiro acessar esta página: http://creativecommons.org.br/as-licencas/

Este artigo não se encerra por aqui. E aí, o que achou? Vamos tornar o nosso conhecimento livre e colaborativo?

Referências:


Cartilha sobre REA: http://www.rea.net.br/site/wp-content/uploads/2012/03/Folder-REA.pdf
Creative Commons no Brasil: http://creativecommons.org.br/
Recursos Educacionais em Saúde - Acervo: http://www.unasus.gov.br/page/ares/o-que-e-o-ares
Unesco - Declaração REA de Paris em 2012:  http://www.unesco.org/new/fileadmin/MULTIMEDIA/HQ/CI/CI/pdf/Events/Portuguese_Paris_OER_Declaration.pdf
REA na Wikipedia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Recursos_educacionais_abertos

Livro: Recursos Educacionais Abertos - práticas colaborativas e políticas públicas    http://www.livrorea.net.br/livro/home.html




quinta-feira, 27 de março de 2014

Marco Civil é aprovado com base nos princípios de governança e uso da Internet do CGI.br

São Paulo, 26 de março de 2014
Texto do NIC.br - Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR

Projeto de Lei aprovado na Câmara Federal dos Deputados defende a privacidade e neutralidade da rede

O Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), organismo multissetorial responsável por integrar as iniciativas de uso e desenvolvimento da Internet no País, considera a aprovação do Marco Civil da Internet, na noite da última terça-feira (25), na Câmara dos Deputados, um grande avanço para a proteção dos direitos civis constitucionais dos brasileiros.

“A aprovação do Marco Civil é um importante progresso para a sociedade brasileira, pois a Internet é cada vez mais uma tecnologia indispensável para todos os segmentos da sociedade. O Marco Civil é também um importante exemplo que o Brasil oferece ao mundo, ao aprovar uma legislação que ordena os direitos e responsabilidades dos cidadãos, empresas e governo na Internet", destaca o coordenador do CGI.br, Virgílio Almeida.

As próximas etapas serão a tramitação do Projeto de Lei no Senado e em seguida a sanção presidencial, o que impulsionará o Brasil a ocupar uma posição de liderança mundial no debate sobre o futuro da Internet. O Marco Civil brasileiro poderá servir de inspiração para outros países, principalmente durante a realização do NETmundial - Encontro Multissetorial Global Sobre o Futuro da Governança da Internet, que acontecerá nos dias 23 e 24 de abril, em São Paulo e reunirá entidades internacionais de diversos setores envolvidos com a governança da Internet.

A consolidação dos direitos, deveres e princípios para a utilização e o desenvolvimento da Internet no Brasil a partir do Marco Civil é fundamental para promover a transparência e confiança no uso da Internet. “A atuação do CGI.br com seu modelo multissetorial de governança, torna-se ainda mais relevante para o avanço de uma Internet livre, democrática, segura e eficiente”, afirma Virgílio.

Durante todos os debates do Marco Civil na Câmara, o CGI.br manifestou apoio à proposta do relator Alessandro Molon. De acordo com o coordenador do CGI.br, o texto aprovado guarda diversas similaridades com o decálogo de princípios para governança e uso da Internet, proposto pelo CGI.br em 2009 e, hoje, visto internacionalmente como uma referência para a Internet.

No texto do Marco Civil, o CGI.br é mencionado em dois importantes artigos. O artigo 9º determina que as exceções de neutralidade de rede somente acontecerão por decreto e após ouvidos o Comitê Gestor da Internet e a Agência Nacional de Telecomunicações. O artigo 24º afirma que “o desenvolvimento da Internet no Brasil e a promoção da racionalização da gestão, expansão e uso da Internet, contará com a participação do Comitê Gestor da Internet no Brasil”.

O CGI.br reitera seu posicionamento sobre alguns dos principais aspectos do Marco Civil da Internet:

Liberdade, privacidade e direitos humanos
O uso da Internet deve guiar-se pelos princípios de liberdade de expressão, de privacidade do indivíduo e de respeito aos direitos humanos, reconhecendo-os como fundamentais para a preservação de uma sociedade justa e democrática.

Neutralidade da rede
Filtragem ou privilégios de tráfego de dados devem respeitar apenas critérios técnicos e éticos, não sendo admissíveis motivos políticos, comerciais, religiosos, culturais, ou qualquer outra forma de discriminação ou favorecimento.

Inimputabilidade da rede
O combate a ilícitos na rede deve ser dirigido aos responsáveis finais e não aos meios de acesso e transporte, sempre preservando os princípios maiores de defesa da liberdade, da privacidade e do respeito aos direitos humanos.

Origem – O projeto de lei do Marco Civil da Internet surgiu a partir da percepção de que o processo de expansão do uso da Internet por empresas, governos, organizações da Sociedade Civil e por um crescente número de pessoas colocou novas questões e desafios relativos à proteção dos direitos civis constitucionais dos cidadãos.

Nesse contexto, era crucial o estabelecimento de condições mínimas e essenciais não só para que o futuro da Internet seguisse baseado em seu uso livre e aberto, mas que permitissem também a inovação contínua, o desenvolvimento econômico e político e o surgimento de uma sociedade culturalmente vibrante.

O Marco Civil nasceu de uma iniciativa da Secretaria de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça, que, em parceria com o Centro de Tecnologia e Sociedade da Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas no Rio de Janeiro, estabeleceu um processo aberto, colaborativo e inédito para a formulação de um marco civil brasileiro para uso da Internet.

O principal elemento de inspiração do Marco Civil foi a Resolução de 2009 do CGI.br intitulada “Os princípios para a governança e uso da Internet” - http://www.cgi.br/regulamentacao/resolucao2009-003.htm. Além disso, recomenda-se a leitura da publicação “O CGI.br e o Marco Civil da Internet” em http://www.cgi.br/publicacoes/documentacao/CGI-e-o-Marco-Civil.pdf.   

Sobre o Comitê Gestor da Internet no Brasil - CGI.br
O Comitê Gestor da Internet no Brasil, responsável por estabelecer diretrizes estratégicas relacionadas ao uso e desenvolvimento da Internet no Brasil, coordena e integra todas as iniciativas de serviços Internet no País, promovendo a qualidade técnica, a inovação e a disseminação dos serviços ofertados. Com base nos princípios de multilateralidade, transparência e democracia, o CGI.br representa um modelo de governança multissetorial da Internet com efetiva participação de todos os setores da sociedade nas suas decisões. Uma de suas formulações são os 10 Princípios para a Governança e Uso da Internet (http://www.cgi.br/principios). Mais informações emhttp://www.cgi.br/.  

quarta-feira, 19 de março de 2014

Marco Civil - Temos que fazer barulho!!!



Segundo Tim Berners-Lee,

"a não ser que tenhamos uma Internet aberta, neutra, em que possamos confiar sem nos preocuparmos com o que está acontecendo por trás do pano, não podemos ter um sistema de governança aberto, uma boa democracia, um bom sistema de saúde, comunidades interligadas e diversidade cultural".

Estamos numa luta contra os interesses das grandes cia de telecomunicações. Aquelas que detêm o cabeamento da nossa internet e que são inimigas da neutralidade na internet. Nessa luta, todos são convocados. Vovó que gosta de espiar suas amigas no facebook, jovens gamers, blogueiros, movimentos sociais que encontraram na internet um local para se comunicar (e fazer política). E como Benners-Lee nos lembra, a democracia, os sistemas de saúde, educação, cultura... É preciso conhecer a grande batalha da nossa atualidade. Lutemos pela neutralidade da rede, por uma informação neutra e livre.

O primeiro passo: assinar petições públicas, como a do Instituto Brasileiro do Consumidor, e divulgar, compartilhar. O IDEC criou este site para explicar melhor: http://marcocivil.com.br/

Se você acha que muitos dos seus amigos ainda não entendem a importância da discussão, ataque do melhor jeito nos dias atuais: com vídeos curtos.

Vejamos esse vídeo, um dos melhores que explica como a interferência no marco civil escrito pela população pode afetar no nosso dia-a-dia


Trago também alguns vídeos do deputado Alessandro Molon (PT/RJ), que nos ajudam a entender o que está acontecendo. Vamos, armem-se, essa luta é nossa!!



Vejam os outros vídeos preparados pela equipe do deputado no canal dele.

Sugiro também vídeos do sociólogo e professor Sérgio Amadeu. É possível encontrar muito material sobre a discussão



E aí? vamos lutar?

sexta-feira, 7 de março de 2014

10 razões para uma educação conectada

Esse texto foi retirado e traduzido do Intefblog




  1. O uso de redes sociais é parte da competência digital, que é uma das competências-chave para a aprendizagem no século XXI. (Gutiérrez Martín & Tyner , 2011)
  2. Integrar as mídias sociais e ambientes virtuais de aprendizagem em sala de aula é uma necessidade para evitar o aumento desta lacuna digital. Os alunos utilizam diversos meios/mídias para gerenciar informações e aprender dentro e fora da sala de aula. (Buckingham , 2008)
  3. Não podemos continuar a ensinar no século XXI como no século XIX. Para a educação de qualidade é necessário integrar novas mídias de gestão de informações e comunicação global, onde as redes sociais são uma parte importante. (Irazábal , 2012)
  4. O professor deve desenvolver as habilidades digitais necessárias que permitam apreciar a necessidade de incorporar as novas mídias para uma aprendizagem mais eficaz e atualizada. (Gil Mediavilla , 2013)
  5. O problema não é do computador e da conectividade. Os alunos estão conectados fora da sala de aula e usam regularmente as redes sociais. (Gisbert & Esteve, 2011)
  6. Para fazer uso eficiente de ambientes virtuais de aprendizagem e mídias sociais é necessária uma nova abordagem pedagógica. O aluno deve ter um papel mais ativo e criativo na sua aprendizagem. Os professores devem propor projetos de aprendizagem bem projetado, significativo, e guiá-los através dos desafios que surgem e resolução de problemas em colaboração/conexão com os outro. (Badia & Monereo , 2008)
  7. A capacidade de localizar e processar informações, conectar-se com nós/nodos ou fontes especializadas, é mais importante do que o que nós sabemos em determinado momento. Alimentação e manutenção de conexões é necessária para facilitar a aprendizagem contínua. (Siemens, 2007)
  8. É necessária a educação ligada ao desenvolvimento de novas capacidades, tais como filtragem e classificação de informações a partir da Web, participar e compartilhar em comunidades virtuais, compreender os seus próprios códigos de comunicação de contextos digitais, editar conteúdos digitais, criar e gerir a sua própria identidade digital. (Alvarez, 2012)
  9. O fluxo de informações dentro de uma organização é um elemento importante da eficácia organizacional. Criar fluxos de informação, gerenciá-la e distribuí-la coletivamente são atividades-chave nas organizações. Também nas escolas, eles receberiam benefícios significativos ao incluir um plano de uso de mídias sociais em seus programas educacionais. (De Haro, 2012)
  10. A Conectividade das pessoas permite o intercâmbio e a discussão de novas idéias e favorece a inovação. (Freire et al. , 2009)